Há muito tempo...
Existiam dois aprendizes num templo que fora construído ao redor de uma árvore sagrada e antiga.
Essa árvore soltava folhas todos os dias que tinham que ser retiradas e fiéis vinham todos os dias orar sob ela. Pessoas quais queriam orientações também.
Esses dois aprendizes eram os mais velhos, então o sacerdote tinha que dar-lhes um nome para suas personalidades: Escolheu Rio e Lago. Rio tinha muito de sua alcunha: rápido em seus afazeres, mas seu jeito de fazer às vezes não era o mais simples. Lago por sua vez era calmo, apático à certas situações. Limpar o pátio e orientar os fiéis eram as tarefas revezadas entre Lago e Rio. Rio estudava tranquilo quando percebeu que uma forte ventania balançou a copa da árvore. Rio desceu e limpou mesmo com o vento ainda derrubando outras folhas. Quando Rio passava pelo corredor de volta ao seu quarto, Lago o abordou. Com um ar de quem acabara de acordar, perguntou:
"Ainda tem muitas folhas para limpar?"
Rio não podia dizer que o pátio ficou limpo e sabia que logo pessoas apareceriam, mas ele respondeu com o que o sacerdote o havia ensinado...Verdade
Disse que ainda haviam folhas, mas Lago pareceu não se importar em limpá-las naquele momento. No dia seguinte, muitas pessoas vieram agradecer e ofertar. Rio estava lá, com muitos outros aprendizes, mas o Sumo-sacerdote queria a presença dele. Poucas pessoas ficaram orando perto da árvore e Rio as deixou para falar com os seus superiores. Mais uma vez antes de ir ao pátio principal Lago abordou Rio. Dessa vez perguntou se haviam muitas pessoas querendo orientações e Rio segurando sua frustração respondeu que alguns ficaram orando.""Mas poderiam haver mais!! exclamou ele em pensamento, mas como falar isso para seu amigo preguiçoso?
Rio compareceu na presença do Sumo-sacerdote ainda com a frustração em seu semblante.
"O que houve, jovem?" perguntou o Sumo-sacerdote. Rio não conseguia esconder que havia algo errado. Rio contou exatamente o que havia ocorrido e o número de vezes.
O Sumo-sacerdote apenas olhou para o aprendiz e disse
"Há quem ache às vezes que dizer a verdade é uma maldição. E que pode ser facilmente manipulado pela pureza que há nela, porém mais forte que a verdade é a realidade"
O olhar de Rio se iluminou e agora ele sabia o que fazer. No dia seguinte, escondido dos sacerdotes Lago perguntou novamente se tinha muito a ser feito. Rio olhou nos olhos do aprendiz e respondeu:
"Mesmo que não haja muito, sua obrigação é saber se há algo. Mesmo que pouco a ser feito."
Desde então o aprendiz aprendeu que mesmo que a verdade caia na teia dos mal intencionados, sempre haverá a realidade para acudi-la e o próprio aprendiz percebeu, mas tarde quando se tornou sacerdote que mesmo que a realidade também seja manipulada a verdade nunca será maculada...
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